a mulher que fez o vidro contar histórias
Um centro de mesa em cristal, uma escultura de vidro soprado no ponto certo de luz, e de repente é isso que seus olhos procuram toda vez que entram na sala.
Há mais de 20 anos, é esse o efeito que Jacqueline Terpins provoca. E a história de como ela chegou até aí é, no mínimo, curiosa.
De carioca inquieta a mestre do vidro
Jacqueline nasceu na Paraíba, cresceu no Rio de Janeiro e, nos anos 70, dividia sala de aula com nomes como Lygia Pape e Anna Bella Geiger — figuras que hoje são praticamente sinônimo de arte brasileira. Formou-se em Comunicação Visual, mas cedo percebeu que o que a movia não cabia em um diploma só.
Foi atrás de uma técnica que quase ninguém no Brasil dominava: o vidro soprado. Para aprender de verdade, cruzou o oceano duas vezes, passou pela Penland School of Art and Craft e pela Pilchuck Glass School, nos Estados Unidos, e ainda foi estudar desenho em Londres, na Byam Shaw School of Art. Voltou para o Brasil com um material nas mãos que poucos ousavam encarar como profissão.
E o motivo é simples: vidro não perdoa. Um segundo de hesitação e a peça se perde. Talvez seja exatamente por isso que tão poucos designers brasileiros tenham se aventurado por esse caminho, e talvez seja exatamente por isso que Jacqueline se tornou uma referência nele.
Do sopro à geometria
Com o tempo, o repertório se expandiu. Ao vidro soprado, Jacqueline somou o vidro plano, e depois madeira, metal e corian. O resultado é uma linguagem própria.
Talvez seja por isso que suas peças funcionem tão bem em qualquer contexto: numa galeria de arte ou sobre a mesa de jantar, o efeito é o mesmo. Elas param o olhar.
A história por trás do objeto
No fim, é sobre isso que gostamos de falar por aqui: o que existe atrás de uma peça de design. Porque um objeto assinado carrega uma trajetória inteira, décadas de estudo, viagens, tentativa e erro diante de um material que não perdoa.
E é justamente por valorizar essas histórias que trazemos, com carinho, peças de Jacqueline Terpins para dentro da curadoria Studio Ambientes.


